Dieta sem lactose e sem glúten: quando devem ser indicadas?

Descubra em quais situações as dietas restritivas devem ser colocadas em prática.

Hospital Samaritano


21 de agosto de 2015


9 minutos
Dieta sem lactose e sem glúten – quando devem ser indicadas

Há algum tempo, a lactose e o glúten tornaram-se “vilões” da boa saúde. Entre as celebridades, esse tipo de dieta também virou tendência, principalmente quando associada ao emagrecimento. O fato vem impulsionando o surgimento de novos produtos no mercado com a exclusão dessas substâncias e preocupando os médicos sobre a adesão da população a uma dieta restritiva, sem orientação.

Nos EUA, o Instituto de Pesquisa de Mercado NPD Group divulgou uma pesquisa sobre hábitos de consumo dos norte-americanos revelando que, em 2012, 29% da população estava diminuindo ou eliminando o glúten da alimentação.

Mas será mesmo saudável optar por uma dieta restritiva?

Segundo a Dra. Soraia Tahan, gastroenterologista do Hospital Samaritano de São Paulo, algumas situações clínicas exigem a exclusão desses elementos da dieta.

“Pessoas com intolerâncias e alergias alimentares e com diagnóstico de doença celíaca devem eliminar lactose ou glúten da dieta. Excluindo essas situações, deve haver muito cuidado em aderir a uma dieta deste tipo. No caso da retirada do glúten, a variedade de cereais fica limitada e os nutrientes nem sempre são substituídos de forma correta. A dieta sem lactose também restringe nutrientes importantes, como o cálcio”, explica a médica.

Sintomas, diagnóstico e tratamento da intolerância à lactose

Os indivíduos que apresentam intolerância à lactose, ao ingerirem leite de vaca ou derivados, apresentam sintomas como distensão e dor abdominal, flatulência e diarreia. “A intensidade dos sintomas depende da quantidade de lactose ingerida e aumentam com o passar da idade”, afirma a especialista.

O diagnóstico pode ser feito mediante testes de tolerância à lactose que são realizados por meio de exames de sangue ou testes respiratórios e, mais recentemente, também pelo exame genético. É importante não confundir o diagnóstico de intolerância à lactose e alergia à proteína do leite de vaca, pois tratam-se de situações completamente diferentes.

Na alergia ao leite de vaca existe um processo imunológico que envolve a proteína do leite, podendo causar reações gastrointestinais, respiratórias e até mesmo anafilaxia. Nesse caso, o paciente não pode receber nenhum alimento que contenha a proteína do leite, independentemente da quantidade consumida. Por isso, é importante o acompanhamento médico”, acrescenta a especialista. Já o tratamento de intolerância à lactose implica na diminuição ou retirada da lactose da dieta. Em alguns casos é indicado o tratamento com a enzima lactase.

Glúten e Doença Celíaca

A dieta restritiva sem glúten deve ser feita por pessoas portadoras da doença celíaca. Durante muito tempo, esse problema foi considerado raro entre a população. O que não é verdade. Atualmente, na cidade de São Paulo, uma em cada cerca de 200 pessoas apresentam essa doença. O glúten é encontrado em alimentos que apresentam trigo, centeio e cevada na composição.

A doença celíaca é uma intolerância permanente induzida pelo glúten e que acarreta lesão da mucosa do intestino em indivíduos com predisposição genética.

Existem três formas de apresentação da doença celíaca:

Clássica: geralmente ocorre em crianças jovens e se manifesta com diarreia crônica, distensão abdominal e perda de peso;

Atípica: acomete crianças, adolescentes e adultos. Os sintomas gastrointestinais geralmente estão ausentes e, se presentes, não são tão importantes. Porém, podem ocorrer outras manifestações clínicas como baixa estatura, anemia, osteoporose, dores nas juntas, atraso para iniciar a puberdade, irregularidade menstrual, esterilidade e abortos de repetição, além de aftas de repetição e até mesmo anemia por deficiência de ferro ou constipação intestinal que não respondem ao tratamento habitual;

Assintomática: nesse caso, os indivíduos apresentam exames sorológicos e de biópsia do intestino delgado compatíveis com doença celíaca, porém sem manifestações clínicas. Essa situação pode ocorrer em pessoas que possuem familiares celíacos e em indivíduos que apresentam patologias associadas à doença como doenças autoimunes, diabetes tipo 1 e Síndrome de Down.

A dermatite herpetiforme também é uma manifestação da doença celíaca. Nesse caso, o indivíduo apresenta lesões de pele, como nódulos com a presença de bolhas que causam muita coceira e geralmente acometem áreas como cotovelos, joelhos, nádegas e região da escápula.

O diagnóstico da doença celíaca é realizado mediante exames de sorologia e biópsia de intestino delgado. O teste genético também pode apontar a tendência ao desenvolvimento do problema.

O tratamento consiste na eliminação do glúten durante toda a vida. Pessoas celíacas que não realizam dieta sem glúten podem apresentar consequências graves como osteoporose, esterilidade, distúrbios neurológicos e psiquiátricos e até mesmo alguns tipos de câncer.

A prescrição e orientação de qualquer dieta restritiva deve ser realizada somente por médicos ou nutricionistas. Evite danos à sua saúde.

New Call-to-action



Centro de Referência no Tratamento das Lesões de Nervos Periféricos

Ver Todos

Centro de Atenção ao Tabagismo

Ver Todos
Hospital Samaritano São Paulo

Hospital Samaritano São Paulo