Saiba tudo sobre a diverticulite, uma doença que afeta o intestino grosso

Dr. Umberto Morelli, médico especialista em Coloproctologia do Hospital Samaritano, esclarece todos os detalhes

Hospital Samaritano


15 de setembro de 2016


9 minutos

A diverticulite é uma doença caracterizada pela inflamação dos divertículos, que são pequenas bolsas no intestino grosso (chamado de cólon), geralmente na parte final. Também conhecida como diverticulose, ela tende a se manifestar com maior frequência após os 50 anos.

O Dr. Umberto Morelli, médico especialista em Coloproctologia do Hospital Samaritano, esclarece todos os detalhes sobre esta doença. Confira abaixo quais são suas causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção.

O que são divertículos?

Divertículo é um termo que vem do Latim e significa ‘bolsinha’. A diverticulose (ou doença diverticular não complicada) ocorre quando estas bolsinhas surgem no intestino grosso ou cólon. O divertículo é formado por uma camada interna, chamada mucosa, e outra externa, chamada serosa. Ambas são muito finas e próximas aos vasos que nutrem o intestino.

Comum após os 50 anos, os divertículos são ainda mais frequentes em pessoas que sofrem de intestino preso, condição chamada de constipação.

“É difícil explicar porque eles se formam, mas imagine um pneu de carro formado por uma camada interna fina e elástica, e uma camada externa grossa e resistente. Se fizer um furo na camada externa e aumentar a pressão na camada interna, ela irá se expandir como um pequeno balão através do furo da camada externa. Se imaginarmos o cólon com uma camada externa resistente, feita de músculos, e uma camada interna fina (mucosa), ao aumentar a pressão na camada interna, irão se formar pequenos balões onde haverá menor resistência no músculo (que não tem furos), onde passam os vasos sanguíneos que o nutrem. Assim se formam os divertículos no intestino grosso”, explica o Dr. Umberto Morelli.

Quais são as causas?

A principal causa da diverticulite é uma dieta pobre em fibras.

Uma alimentação rica em fibras aumenta o calibre das fezes. Por outro lado, poucas fibras causam fezes menos calibrosas. “Imagine um tubo de pasta de dente e a pressão que você tem que fazer para sair a pasta quando tem pouca no tubo. Agora, imagine que seu cólon precisa fazer muita pressão para eliminar as fezes de baixo calibre. É nesta situação que os divertículos de formam”, exemplifica o médico.

Quais fatores aumentam a chance de se ter diverticulite?

  • Idade
  • Obesidade (estar acima do peso)
  • Fumo
  • Sedentarismo: exercícios físicos diminuem a incidência da doença.
  • Dieta rica em gordura animal e pobre em fibras
  • Medicamentos: alguns como esteróides, opióides e antiinflamatórios, como ibuprofeno e naproxeno, podem aumentar o risco da doença.

Quais os sintomas?

  • Dor abdominal, que pode ser constante e durar dias. Em particular, dor na região inferior esquerda do abdômen.
  • Náusea e vômito
  • Febre
  • Desconforto abdominal
  • Mudança abrupta de habito intestinal, com constipação (prisão de ventre) ou diarréia.
  • Sangramento por via retal

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico. Normalmente, o paciente relata dor abdominal, alteração no hábito intestinal (constipação ou diarréia) e febre. O médico examinará o paciente e solicitará exames diagnósticos: exame de sangue, urina, teste de gravidez para mulheres em idade fértil e raio-X ou, mais frequentemente, tomografia de abdômen.

Em alguns casos, é realizada uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico. “Este exame deve ser feito com, no mínimo, oito semanas após o episódio da diverticulite. Nunca deve-se fazer a colonoscopia de imediato”, alerta o Dr. Morelli.

Como é feita a colonoscopia?

A colonoscopia é um exame que analisa a parte interna do intestino grosso. É realizada com um instrumento tubular (da grossura de um polegar) com uma luz e uma câmera na ponta.

É necessário limpar o intestino das fezes antes da realização do exame para que se possa ver com clareza qualquer irregularidade, inflamação, pólipo ou tumor. Esta limpeza deve ser feita dias antes através de uma dieta e pela ingestão de laxantes.

Em caso de diverticulite, para evitar danos e possíveis perfurações no cólon, que já sofre com uma inflamação, a colonoscopia deve ser realizada após pelo menos oito semanas.

Como é o tratamento?

Se a diverticulite é leve e não apresenta complicações, como perfuração ou abscessos, pode ser tratada ambulatoriamente com uma terapia a base de antibióticos, antiinflamatórios, remédios contra a dor e dieta. Neste caso, o sucesso do tratamento varia entre 70 a 100%.

Em casos mais graves, ou se ocorre alguma complicação como sangramento, perfuração, abscesso ou fístula, é necessária a internação hospitalar, com jejum e antibióticos por via venosa.

A cirurgia é necessária quando a diverticulite é caracterizada por grandes abscessos e quando a terapia médica com antibióticos não funciona ou se tiver bloqueio (obstrução) do intestino.

Como prevenir a diverticulite?

A dieta e o estilo de vida têm um papel muito importante neste sentido. “Algumas medidas são: emagrecer, parar de fumar, evitar o consumo de carne vermelha e gordura de origem animal, fazer atividade física, evitar o uso de medicamentos (especialmente antiinflamatórios) sem necessidade, se hidratar corretamente”, orienta o Dr. Umberto Morelli, especialista em Coloproctologia.

Aumentar o consumo de fibras é crucial. Verduras cruas ou cozidas, alimentos integrais e frutas são os principais aliados para prevenir o aparecimento de divertículos e depois na prevenção da doença.

Um intestino sadio, que funciona regularmente, é o primeiro passo para prevenir doenças que podem ser graves.

Centro de Referência no Tratamento das Lesões de Nervos Periféricos

Ver Todos

Centro de Atenção ao Tabagismo

Ver Todos
Hospital Samaritano São Paulo

Hospital Samaritano São Paulo