Conheça os tipos de dor de cabeça

Tensional, enxaqueca ou em salvas: descubra qual é a sua e como tratá-la

Hospital Samaritano de São Paulo


19 de janeiro de 2017


9 minutos
shutterstock_369751736 (1)

Você sabia que a dor de cabeça é um sintoma que pode estar relacionado com mais de 200 doenças? Podemos classificá-las em dois tipos: primárias e secundárias.

A primária é mais prevalente, atingindo cerca de 90% das pessoas. Neste tipo, não há uma estrutural causa para a dor, ela própria é a doença.

Já as cefaléias secundárias são aquelas em que a dor é sintoma de alguma outra doença, como uma gripe, sinusite ou até mesmo causas mais graves como um tumor ou um acidente vascular cerebral.

Nas dores de cabeça primárias, o diagnóstico é feito através do quadro clínico. “Por exemplo, nos casos de pacientes com um histórico de dores recorrentes, sempre do mesmo jeito, geralmente, apresentam um conjunto de características que nos permite diagnosticar com precisão, sem a necessidade de exames complementares”, explica Dr. Marcelo Calderaro, médico especialista do Núcleo de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Samaritano.

Quando se suspeita de uma cefaléia secundária, o médico poderá julgar caso a caso qual é o melhor exame complementar que auxiliará a esclarecer o diagnóstico do que está por trás da dor de cabeça. De uma forma geral, deve-se suspeitar de uma cefaléia secundária quando o paciente apresenta uma cefaléia de instalação súbita (não progressiva), de característica diferente das dores que o paciente está acostumado, ou quando a dor é acompanhada de outros sinais clínicos (febre, rigidez de nuca ou qualquer outra alteração no status neurológico do paciente como paralisias, confusão mental, visão dupla). Nestas situações, recomenda-se que o paciente vá a um serviço de emergência.

Saiba mais sobre os tipos de dor de cabeça mais comuns.

Cefaleia tensional

Existem as cefaleias do tipo tensional episódica, com frequência de menos de 15 dias de dor ao mês, e a crônica, com mais que 15 dias de dor ao mês.

Características: dor leve a moderada, peso na cabeça, ausência de enjôo ou vômito, luz e barulhos não incomodam.

É o tipo mais comum na população geral. No entanto, como o impacto na vida da pessoa é normalmente pequeno, não há grande procura médica.

Enxaqueca

Pode durar de quatro a 72 horas.

Características: dor latejante, que atinge a metade da cabeça, apresenta enjôo e aversão à luz e sons.

Devido à intensidade da dor afetar ou limitar a qualidade de vida, há maior procura médica do que a tensional.

Cefaleia em salvas

As crises podem ocorrer até oito vezes no dia, durando de 15 minutos até poucas horas.

Características: dor somente em uma metade da cabeça, ao redor de somente um dos olhos, muito intensa, acompanhada de alguns sinais de disfunção do sistema nervoso autônomo, como olhos avermelhados, caídos, inchados ou lacrimejando, nariz escorrendo do mesmo lado da dor. Além disso, a pessoa pode ficar muito inquieta, agitada.

Gatilhos de crise

Na enxaqueca, em pessoas pré-dispostas, alguns fatores podem desencadear as crises de dor de cabeça. “Estes fatores são considerados ‘gatilhos’ e não como a causa do problema”, comenta Dr. Calderaro. Em geral, são eles: jejum, período menstrual, estresse, privação ou excesso de sono e, eventualmente, alguns alimentos como salsicha, aspartame ou que contém glutamato (presente na cozinha oriental).

É importante destacar que estes fatores são muito individuais e que no caso da cefaleia em salvas os gatilhos são outros.

Os gatilhos das crises são individuais, ou seja, o que desencadeia a crise para uma pessoa não necessariamente desencadeia em outra. “Não se justifica, portanto, que se façam orientações genéricas e restritivas do tipo ‘não faça isso ou aquilo, evite isso ou aquilo’”, explica o médico.

Tratamento

O tratamento destes tipos de dores de cabeça é decidido, primeiramente, a partir do diagnóstico correto. O paciente deve estar ciente do problema a ser tratado.

“No caso da enxaqueca, por exemplo, deve-se inicialmente definir o nível de limitação que ela causa na vida da pessoa. A frequência e a intensidade das crises são fatores importantes nesta análise. Além disso, leva-se em consideração quanto da qualidade de vida é perdida devido às crises de enxaqueca”, diz o médico.

Caso haja muita limitação, em geral, é recomendado o uso de medicações preventivas.

Segundo Dr. Calderaro, o tratamento de dores de cabeça primárias é, normalmente, constituído em quatro âmbitos: o primeiro, evitar os possíveis gatilhos que desencadeiam a dor; o segundo, adotar medidas de estilo de vida, como atividade física, sono regular e menos estresse.

O terceiro ponto é tratar a dor por meio de medicamentos específicos, caso a caso, de acordo com o histórico do paciente. Deve-se evitar o abuso de analgésicos, pois podem favorecer o processo de piora e até tornar crônica a frequência das crises.

E por último, “o tratamento preventivo com medicação diária a longo prazo, que age diretamente no cérebro, tem a função de reduzir a vulnerabilidade do paciente, diminuindo as chances da pessoa ter dor”, finaliza o especialista.

Leia também:

Dor de cabeça: quando deve ser motivo para preocupação?

Enxaqueca e alimentação: entenda o que pode estar errado

Dores de cabeça: saiba o que fazer para evitar que o problema se torne crônico

Centro de Referência no Tratamento das Lesões de Nervos Periféricos

Ver Todos

Centro de Atenção ao Tabagismo

Ver Todos
Hospital Samaritano São Paulo

Hospital Samaritano São Paulo

Diretor Técnico: Dr. Maurício Rodrigues Jordão - CRM 98.881