Congelamento de óvulos é alternativa para mulheres que querem adiar a gravidez

Procedimento pode ser realizado por mulheres que precisam ou têm a intenção de postergar a maternidade

Hospital Samaritano de São Paulo


27 de outubro de 2016


7 minutos
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O surgimento da pílula e de outros métodos contraceptivos promoveu a independência das mulheres em diversas esferas. A possibilidade de evitar uma gravidez fez com que elas investissem mais no desenvolvimento pessoal e profissional, muitas vezes deixando a maternidade em segundo plano. Segundo os dados da última pesquisa Saúde Brasil, divulgada pelo Ministério da Saúde, 30% das brasileiras têm o primeiro filho após os 30 anos.

Entretanto, a inversão de prioridades também trouxe o medo de envelhecer e de, na hora desejada, não conseguir engravidar. Este é um dos principais motivos para explicar o aumento da procura por congelamento de óvulos. “Cada mulher nasce com um número finito de óvulos, que serão utilizados ao longo da vida reprodutiva. A partir dos 35 anos, em média, ocorre uma redução gradual das chances de gravidez entre as mulheres. Este fenômeno deve-se à redução da quantidade, e, principalmente, da qualidade dos óvulos”, explica Dr. Paulo Bianchi, coordenador do Centro de Reprodução Humana do Hospital Samaritano de São Paulo.

Desta forma, o congelamento de óvulos tornou-se uma opção para aumentar as chances de realizar o sonho de ser mãe quando é necessário postergar a maternidade. Por ser um procedimento relativamente simples e feito em mulheres jovens, normalmente saudáveis, há poucas contra-indicações. “É importante salientar que o procedimento não é uma garantia de gestação no futuro, mas sim, uma forma de tentarmos manter a chance de gravidez que a pessoa teria no momento do congelamento, mesmo que ela pretenda ou precise, em virtude de alguma doença, engravidar com uma idade mais avançada”, detalha o especialista. “Quando congelamos óvulos de uma mulher de 34 anos e ela retorna para usá-los aos 38 anos, a chance de gestação será praticamente a mesma que ela teria aos 34 anos, salvo se ocorrer algum problema com o útero neste meio tempo”, exemplifica Dr. Bianchi.

Como funciona

Após a decisão, o procedimento começa, em geral, no início do ciclo menstrual. “Na primeira parte do tratamento, a mulher usa alguns medicamentos que estimulam o desenvolvimento e amadurecimento dos óvulos”, detalha o especialista. “O procedimento, em geral, é tranquilo, com poucos (ou nenhum) efeito colateral para as pacientes, normalmente bem tolerados por serem de curta duração (alguns dias)”, complementa.

A próxima etapa é o procedimento para a retirada dos óvulos. A captura é feita sob anestesia, por meio de uma punção transvaginal guiada por ultrassom, com retirada do material, um a um. Cada um deles é avaliado para saber qual é o seu grau de maturidade e se o seu congelamento é viável. “O ideal é que o congelamento seja feito até os 35 anos. O procedimento pode ser feito após esta idade, mas a qualidade dos óvulos e, consequentemente, a chance de gestação no momento do descongelamento, diminuem”, alerta Dr. Bianchi.

Atualmente, o método mais utilizado é o de vitrificação. A temperatura é reduzida de forma rápida. Isso faz com que a sobrevivência do material seja maior após o descongelamento e que a qualidade dos óvulos se mantenha.

Uma vez congelados, os óvulos podem durar por um período indeterminado e a mulher pode utilizá-los quando desejar. Após o descongelamento, os óvulos viáveis são fertilizados por espermatozóides e, após alguns dias de desenvolvimento, os embriões obtidos são colocados no útero (previamente preparado).

A gravidez obtida a partir de um óvulo congelado/descongelado não possui nenhuma diferença em relação à gravidez natural. Os riscos da gestação dependem da saúde da mãe e de seus hábitos no momento da gravidez, assim como ocorre em gestações naturais. “Se a mulher decidir não utilizar os óvulos congelados, ela pode descartá-los ou doá-los. Neste último caso, o processo é feito de forma anônima, isto é, não se pode escolher para quem fazer a doação”, esclarece Dr. Bianchi.

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