Como funciona o transplante de fígado

Descubra quais doenças podem causar insuficiência hepática, os tipos de transplantes e cuidados necessários

Hospital Samaritano de São Paulo


9 de fevereiro de 2017


8 minutos

O fígado é uma das maiores glândulas do corpo humano, sendo um órgão vital do sistema digestório, responsável por uma série de funções metabólicas. Algumas doenças podem causar insuficiência hepática, levando ao falecimento do órgão e, consequentemente, à necessidade de um transplante.

A doença hepática terminal pode ser dividida em duas: aguda ou crônica. “A aguda é causada por medicamentos e pelo vírus da Hepatite A. Já na crônica, as causas mais comuns são: lesões hepáticas por álcool, Hepatite por vírus B ou C, esteatose hepática não-alcoólica (sigla NASH, em inglês), esquistossomose, entre outras”, explica Dr. André Ibrahim David, coordenador do Núcleo de Gastroenterologia do Hospital Samaritano.

O transplante de fígado é indicado para pacientes com cirrose hepática, independente da causa da doença, que tenham uma expectativa de vida inferior a 20% ao final de 12 meses; doenças congênitas, como a Atresia das vias biliares (principal causa de transplantes em crianças), Doença de Wilson, poliamiloidose familiar; e também para pessoas com doenças colestáticas, como a colangite esclerosante primária.

Existem dois tipos de transplante de fígado: através do doador cadáver ou pelo doador vivo (intervivos). “No doador cadáver são utilizadas técnicas que preservam a veia cava do corpo morto. Já o doador vivo consiste em retirar uma ou mais partes do doador saudável para transplante no receptor com doença hepática terminal”, orienta Dr. Ibrahim.

No transplante de fígado com doador cadáver é considerado como doador ideal uma pessoa jovem, sadia, que foi atendida imediatamente após o evento que a vitimou e que não tenha deterioração de órgãos vitais.

No transplante intervivos, o doador também deve ser um adulto sadio, sem nenhuma alteração anatômica, do qual é retirada parte do fígado. Segundo o médico, os riscos para o doador são relativamente pequenos e simples. “Quando ocorrem, as complicações mais comuns são: estenose de vias biliares, sangramento, hérnias e bridas. As complicações mais graves ocorrem em somente 1% dos doadores”, comenta.

Ambos tipos de transplante são cirurgias complexas. Uma diferença é que o tempo de duração no doador cadáver é de, em média, seis a oito horas ou mais; enquanto que no intervivos, como envolvem duas cirurgias (doador e receptor), pode levar de dez a 12 horas ou mais. De acordo com o gastroenterologista, esta cirurgia é bem mais complexa que a anterior, não só porque envolve dois pacientes, mas também por envolver técnicas de microcirurgia, já que os vasos sanguíneos e os ductos biliares são muito finos.

“No doador cadáver, após a certificação de que o fígado está em boas condições, o órgão é retirado do corpo por inteiro, conservado em condições ideais e transportado para o centro cirúrgico onde será transplantado. No transplante intervivos, retira-se uma parte do fígado do doador, que é implantada no receptor”, explica Dr. Ibrahim.

Depois da cirurgia, com o doador e o receptor em condições ideais, o receptor deve ficar três dias, em média, na UTI e depois, cerca de mais sete dias internado. Depois do transplante, o tratamento da causa da doença que levou à lesão do fígado deve ser continuado.

Em geral, o risco de rejeição continua sendo um grande medo das pessoas, mas hoje em dia o médico afirma que, devido ao uso de imunossupressores eficientes, esse risco é de menos de 1%, portanto, muito baixo. “O índice de mortalidade do transplante de fígado é muito baixo e a ocorrência de mortes está mais relacionada com más condições clínicas do paciente do que com a cirurgia em si”, finaliza Dr. Ibrahim.

Cuidados pós-transplante

  • Para evitar infecções, alguns médicos podem recomendar o uso de máscaras de proteção nos primeiros dias.
  • Restringir, no início, a quantidade de visitas de parentes e amigos.
  • Manter-se afastado de pessoas ou animais portadores de doenças contagiosas.
  • Conservar a casa sempre limpa e arejada, especialmente os banheiros.
  • Lavar as mãos com água e sabonete antes e depois de usar o banheiro, comer ou chegar em casa.
  • Seguir estritamente a dieta indicada para o seu caso e não consumir alimentos preparados  em lugares e desconhecidos.
  • Verificar o controle dos sinais vitais, como também o peso, anotando diariamente para conhecimento do médico. Havendo alteração, comunicá-lo imediatamente.
  • Realizar exercícios (caminhada ou bicicleta, de preferência), sem exceder o recomendado.
  • Não suspender, sob hipótese alguma, a medicação imunossupressora.
  • Jamais se automedicar.
  • Qualquer sinal ou sintoma diferente do habitual deve ser avisado imediatamente ao médico.

Centro de Referência no Tratamento das Lesões de Nervos Periféricos

Ver Todos

Centro de Atenção ao Tabagismo

Ver Todos
Hospital Samaritano São Paulo

Hospital Samaritano São Paulo

Diretor Técnico: Dr. Maurício Rodrigues Jordão - CRM 98.881